Os pesquisadores desenvolveram um novo método para administrar insulina através da pele, eliminando potencialmente a necessidade de injeções. Um novo polímero projetado para permear as camadas da pele demonstrou rápida normalização da glicose no sangue em camundongos e miniporcos, comparável às injeções tradicionais de insulina. Esta descoberta, detalhada num estudo publicado a 19 de novembro na Nature, poderá revolucionar a gestão da diabetes, tornando a administração de insulina tão simples como a aplicação de um adesivo.
O desafio da administração transdérmica de insulina
Durante anos, os cientistas procuraram formas eficazes de administrar medicamentos – especialmente moléculas grandes como a insulina – através da pele. A barreira natural da pele impede a passagem de muitas substâncias e a insulina não pode ser tomada por via oral porque o sistema digestivo a decompõe. Os métodos existentes para aumentar a permeabilidade da pele, como microagulhas ou intensificadores de permeação química, apresentam riscos de infecção ou danos à pele.
Como funciona o novo polímero
A equipe da Universidade de Zhejiang, liderada pelo bioengenheiro Youqing Shen, desenvolveu um polímero que explora o gradiente natural de pH da pele. A acidez da pele aumenta com a profundidade. O polímero é inicialmente carregado positivamente, ligando-se aos ácidos graxos nas camadas mais externas da pele (pH 4-5). À medida que penetra mais profundamente na pele (pH em torno de 7), o polímero torna-se neutro, libertando-se dos ácidos gordos e difundindo-se através do tecido.
“O polímero funciona como uma locomotiva, tendo a insulina como carga”, explica Shen.
O polímero foi quimicamente ligado à insulina, permitindo-lhe atravessar a pele e atingir tecidos reguladores da glicose, como o fígado. A imagem confirmou que a molécula combinada permeia com sucesso através da pele até a corrente sanguínea.
Resultados em modelos animais
Em ratos diabéticos e miniporcos – cuja pele se assemelha muito à pele humana – o composto polímero-insulina reduziu a glicemia para níveis normais dentro de uma a duas horas, correspondendo à velocidade das injeções. Crucialmente, os efeitos duraram 12 horas, significativamente mais do que as quatro horas de duração da administração tradicional de insulina. Nenhum efeito colateral foi observado nos modelos animais.
Próximas etapas e implicações mais amplas
Embora o polímero não tenha demonstrado toxicidade imediata em estudos com animais, a segurança a longo prazo deve ser rigorosamente testada em humanos. Os pesquisadores também estão refinando o controle da dosagem para evitar quedas perigosas de glicose no sangue. A equipe está expandindo essa tecnologia para outros medicamentos, incluindo a semaglutida (o ingrediente ativo do Ozempic), com resultados iniciais promissores.
De acordo com o engenheiro químico Robert Langer, do MIT, os testes em humanos serão críticos para avaliar a eficácia e a segurança a longo prazo. O desenvolvimento marca um passo significativo em direção a um tratamento do diabetes mais confortável e acessível.
Esta tecnologia pode remodelar a forma como milhões de pessoas controlam a diabetes, indo além das injeções dolorosas e inconvenientes para uma solução mais simples, baseada em adesivos.


























