Novas pesquisas sugerem que os magníficos anéis de Saturno podem não ser características antigas, mas sim os destroços relativamente recentes de uma lua destruída chamada Crisálida. O mesmo evento catastrófico também poderia explicar a inclinação incomum do planeta, desafiando suposições de longa data sobre o sistema saturniano.
O caso de uma lua perdida
Durante décadas, os cientistas têm-se intrigado com duas questões principais: porque é que os anéis de Saturno parecem tão jovens em comparação com o próprio planeta (formado há mais de 4,5 mil milhões de anos) e porque é que Saturno está inclinado aproximadamente 26,7 graus. A teoria predominante ligava a inclinação à ressonância gravitacional com Netuno, mas restava uma peça que faltava.
Descobertas recentes, apresentadas na Conferência de Ciência Lunar e Planetária, propõem que Saturno já hospedou uma lua adicional, Crisálida. Há cerca de 100 milhões de anos, esta lua aventurou-se demasiado perto de Saturno, onde poderosas forças de maré começaram a despedaçá-la.
Como a destruição aconteceu
O processo não foi uma colisão repentina. Em vez disso, a gravidade de Saturno retirou sistematicamente as camadas externas geladas da Crisálida ao longo do tempo. Isto explica por que os anéis de Saturno são predominantemente compostos de água gelada, com um mínimo de material rochoso, já que o núcleo rochoso da lua permaneceu praticamente intacto.
As simulações demonstram que as forças das marés removeriam preferencialmente o manto gelado, deixando para trás o núcleo rochoso. Alguns destes detritos permaneceram em órbita, eventualmente colidindo e espalhando-se no complexo sistema de anéis que observamos hoje. Embora um sistema de anéis mais antigo possa ter existido anteriormente, este evento ainda explicaria porque é que os anéis de Saturno são tão jovens.
Vinculando inclinação à destruição
A destruição da Crisálida também explica a inclinação de Saturno. A lua manteve a estabilidade orbital durante bilhões de anos, mantendo Saturno alinhado com os puxões gravitacionais de Netuno. No entanto, à medida que a órbita de Crisálida se tornou instável, as interações com Saturno levaram à sua destruição, alterando a inclinação axial de Saturno. As simulações mostram que a ruptura da Lua teria desestabilizado o alinhamento de Saturno ao longo do tempo.
O que resta?
A equipe estima que Titã, a maior lua de Saturno, provavelmente removeu até 70% da massa inicial do anel ao longo do tempo. Isto sugere que o sistema de anéis original era muito mais massivo do que o atual. Os cientistas ainda estão a investigar o destino do núcleo sobrevivente da Crisálida e à procura de vestígios do evento, tais como características de impacto incomuns nas luas de Saturno.
A investigação sugere que os anéis de Saturno não são uma característica primordial, mas uma consequência relativamente recente de um evento cósmico dramático. Isto levanta questões sobre a estabilidade de outros sistemas planetários e a prevalência de eventos catastróficos semelhantes em todo o universo.


















