A “geleira do Juízo Final” da Antártica está prestes a perder outro membro.
A plataforma de gelo flutuante em frente à geleira Thwaites. Aquela conhecida como plataforma de gelo oriental de Thwaites. É desapegado. E com isso, os travões de um dos glaciares com o derretimento mais rápido do mundo estão a diminuir ainda mais.
“Seu desaparecimento final pode acontecer repentinamente”, diz Rob Larter, do British Antarctic Survey. Ele está preparado para isso. Tanto é verdade que o British Antarctic Survey já tem um comunicado de imprensa elaborado. Um “obituário”. Pronto para ir se forem pegos desprevenidos.
Thwaites não é apenas uma geleira. É aproximadamente do tamanho do Reino Unido. Atualmente é responsável por quatro por cento de todo o aumento global do nível do mar. Mas esse número? É minúsculo comparado ao que está por vir.
Se Thwaites entrar em colapso total, provocará um efeito dominó em toda a camada de gelo da Antártida Ocidental. Três metros de subida do nível do mar. Costas redesenhadas. Cidades inteiras submersas. Talvez não. Eventualmente.
A plataforma em questão, TEIS, cobre cerca de 1.500 quilómetros quadrados. Isso é maior que Londres. Tem 350 metros de espessura. Ou foi. Imagens de satélite mostram fraturamento. Rachaduras se abrindo amplamente.
Christian Wild, pesquisador da Universidade de Innsbruck, analisa os dados. Ele vê um pára-brisa se quebrando. Grandes pedaços simplesmente caindo.
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Enormes cortes estão se abrindo em torno do “ponto de fixação”. Essa é a crista no fundo do oceano que mantém a plataforma no lugar. Também ao longo da “linha de aterramento”. Onde a geleira realmente toca o mar e começa a flutuar.
Karen Alley, da Universidade de Manitoba, esteve lá recentemente. Ela nem reconhece mais o gelo. Em 2020, a prateleira era grossa. Forte. Agora? É fino. Fraco. Ele está sendo atingido contra aquele ponto de fixação, destruindo-se.
Passou de uma âncora estabilizadora para algo que se divide exatamente onde costumava se manter firme.
A velocidade é o verdadeiro kicker.
O fluxo de gelo triplicou desde janeiro de 2020. Estimamos mais de 2.000 metros por ano. Wild chama isso de loucura. Só nos últimos cinco meses? Acelerou mais. Está em queda livre.
Novas fendas também estão surgindo ao longo da linha de aterramento. Ted Scambos, da CU Boulder, diz que isso apareceu à medida que a prateleira acelerava. A plataforma de gelo está se separando da geleira propriamente dita.
Quando ele irá quebrar completamente?
Larter diz que tentar prever o colapso da plataforma de gelo é como tentar prever terremotos. Você sabe que algo está por vir. Você simplesmente não sabe quando. Um dia parece intacto. A seguir, a próxima imagem de satélite mostra uma bagunça. Ou talvez não. Talvez ainda estejamos vendo isso quebrar daqui a um ano.
Não espere um iceberg do tipo Titanic se afastando. A geografia não permite. O gelo solto provavelmente ficará preso nas proximidades. De qualquer forma, o TEIS não está se quebrando em uma laje gigante. Já está fraturado.
Aqui está o que todo mundo erra.
Grandes icebergs rendem ótimas manchetes. Eles não aumentam o nível do mar. O deslocamento da água é física básica. O que importa é o reforço.
A plataforma funciona como uma barragem. Um freio. Quando a plataforma se mantém, a geleira se move lentamente. Quando a prateleira falha? A geleira acelera.
Wild e a sua equipa mostram que, entre 2020 e agora, o fluxo de gelo por trás desta plataforma falida aumentou 33%. O reforço desapareceu. Por esta métrica? A prateleira já falhou.
Então, o que acontece a seguir?
Mais gelo sai da Antártica. Mais água acaba no oceano. Scambos insiste que esta não é uma crise imediata. É mais lento que um desastre de filme. Décadas, não dias. Mas isso muda a trajetória. Thwaites avança mais rapidamente no sentido de contribuir com 10 ou até 20 por cento para o aumento do nível do mar.
Em 2067? Daniel Goldberg, da Universidade de Edimburgo, estima que Thwaites irá derramar 190 giga toneladas de gelo por ano. Isso representa um aumento de 30% em relação a hoje. Corresponde à perda total de gelo de toda a Antártida neste momento.
Desde a década de 90, observa Alley, as plataformas de gelo têm sido desestabilizadoras. Geleira Pine Island ao lado? Está acontecendo lá também.
As plataformas de gelo só permanecem estáveis no frio. Tanto o oceano quanto a atmosfera precisam estar frios.
Estamos aquecendo o planeta. O oceano está quente. O ar está quente.
Estamos perdendo as plataformas de gelo. Exatamente como esperado.
Apenas… mais rápido do que se esperava.


















