O mundo está a olhar para o mais recente surto de Ébola. Está na República Democrática do Congo agora. Transbordando para Uganda. Mas o vírus não é a única história aqui.
Os epidemiologistas estão alertando para outra coisa. Um alerta urgente e contundente sobre o vácuo deixado pelo desaparecimento de fundos. Sim, o risco de pandemia global para esta estirpe é baixo. Mas a infra-estrutura destinada a impedi-lo está a esvaziar-se. Rápido.
Os EUA desligaram a Organização Mundial da Saúde no início de 2024. Ou foi em 2025? A linha do tempo fica confusa à medida que os cortes são mais profundos. Os orçamentos para 26/27 foram reduzidos. A equipe foi embora. Muitos funcionários.
“A saída da América da OMS foi basicamente desastrosa.”
Esse é Adrian Esterman. Universidade Adelaide. Ele é direto. Ele vê o subfinanciamento como a verdadeira crise que se esconde por trás da doença.
O jogo dos números
5 de maio. Foi quando a OMS recebeu o alerta. Um profissional de saúde. Sintomático desde 24 de abril. Febre. Vômito. Hemorragia. O clássico trio terrível somado a um mal-estar intenso.
Em meados de 17 de maio, foi declarada emergência. Uma preocupação internacional. Os números eram feios.
- 336 casos suspeitos
- 88 mortos
É a cepa Bundibugyo. Não o Zaire. Bundibugyo mata 20% de suas vítimas. Talvez 50%. Isso varia. Mas 50% é um cara ou coroa para a sua sobrevivência. E neste momento a moeda está a ser lançada na África Oriental.
Nenhum escudo para esta besta
Aqui está o chute. Temos duas vacinas licenciadas. Mas apenas para a cepa do Zaire. Aquele mata até 90% das pessoas. É o mau ator dos anos anteriores. Temos balas para esse alvo.
Para Bundibugyo? Nada licenciado. Existem ensaios em macacos. Os primatas não humanos fizeram a sua parte. Os humanos não ganharam nada. Ainda.
Portanto, a contenção é tudo o que existe. Barreiras físicas. Protocolos rígidos. Uma corrida contra o relógio para construir muros antes que o vírus os rompa.
Oxford está trabalhando em algo novo. Eles fizeram parceria com a Moderna. Um candidato polivalente. Um tiro visando vários filovírus. Marburgo. Zaire. E Bundibugyo. Vírus RNA. Febres hemorrágicas letais. A assustadora família de patógenos.
Esterman quer que isso seja acelerado. Agora. “Conhecemos Bundibugyo há vinte anos”, diz ele. “Ainda não temos vacina. Este é o custo dessa lacuna”.
Ele argumenta que podemos acelerar as coisas. Ensaios paralelos. Projetos adaptativos. Mais dinheiro. Isso não significa cortar atalhos. Significa mover-se mais rápido sem quebrar as regras de segurança.
Por que o atraso?
Raina MacIntyre vê isso de forma diferente. Ela está em Sydney. Universidade de NSW. Ela aponta uma dura realidade econômica.
Por que não existem vacinas para estas estirpes obscuras? Dinheiro. Sempre dinheiro.
“90 por cento do desenvolvimento de medicamentos destina-se a países de rendimento elevado.” Esse é o problema. O Ébola atinge países de baixos rendimentos. Os investidores procuram outro lugar. As margens de lucro nas zonas rurais da África Central não cantam a mesma música que os medicamentos para o colesterol em Londres ou Nova Iorque.
Mas a tecnologia muda as coisas. O mRNA é rápido. Muito rápido. MacIntyre acredita que as vacinas para Bundibugyo poderiam ser construídas rapidamente agora. Se alguém os financiou. Se alguém se importasse o suficiente.
Não se sente na sala de espera
Será global? MacIntyre diz improvável. O Ébola não flutua no ar. Não se espalha como o SARS-CoV-2 ou a gripe. Mas casos de “baixo risco e altas consequências”? Isso acontece. Os viajantes voam. A febre chega a 30.000 pés. Eles pousam em Heathrow ou JFK.
Ela está preocupada com a sala de triagem.
Imagine entrar em um pronto-socorro com febre. A enfermeira pergunta se você viajou recentemente. Você mente. Ou você esquece. Ou ela não pergunta.
“Você pode ser mandado para a espera por três horas. Você fica aí sentado. Você infecta outras pessoas.”
É assim que as doenças ultrapassam fronteiras. MERS. Ébola. Hantavírus. Sarampo. Todos viajam em aviões, trens e ônibus.
O conselho de MacIntyre é simples. Pergunte a cada paciente com febre onde eles estiveram. Quarentena se necessário. É a medicina da velha escola. É lento. Funciona.
As vacinas virão. Talvez. Eventualmente. A tecnologia existe. Os parceiros estão alinhados. A ciência é sólida. Mas quem paga? Quando? Essa é a pergunta para a qual ninguém em Genebra parece ter uma resposta neste momento.


















