O núcleo está explodindo

18

As células cerebrais não desistem simplesmente.

Eles decaem. Eles se separam de maneiras que não mapeamos totalmente até agora. Se você quiser curar o Alzheimer, ou a demência mais ampla que o segue, você precisa saber exatamente como os neurônios morrem.

Não o porquê – o acúmulo de proteínas tóxicas não é exatamente uma notícia nova – mas o como. A mecânica.

Há apoptose. Você já ouviu falar disso. É o sistema de coleta de lixo do corpo. As células marcam-se para serem destruídas, limpam-se e são recicladas. Organizado. Eficiente. Mas em doenças neurodegenerativas? Não cabe.

Outra coisa está acontecendo.

Uma equipe do King’s College London publicou um artigo na Nature Communications esta semana. Eles encontraram. Eles estão chamando isso de carioptose.

O que realmente acontece

Tudo começa com desperdício.

Dentro do neurônio, o lixo se acumula mais rápido do que a equipe de limpeza consegue lidar. Isso desencadeia uma reação química em cadeia. Uma enzima – p38 MAP quinase – se adianta e sinaliza uma proteína estrutural chamada LaminB1 para destruição.

LaminB1 é o andaime. As vigas de suporte. Quando é sinalizado, o núcleo não desaparece simplesmente.

Ele se desintegra. Ele entra em colapso. Ele ejeta seu conteúdo interno no vazio.

Esta é a carioptose em sua forma mais básica e violenta.

Os pesquisadores bloquearam o p38 MAPK em seus experimentos. As proteínas tóxicas ainda estão acumuladas, claro. O desperdício permaneceu. Mas o núcleo permaneceu intacto. A morte celular foi atrasada significativamente.

Ganhar tempo é importante.

“Ao direcionar especificamente a interação… podemos desacelerar o processo… ganhando tempo para terapias mais precisas”, diz o genomicista funcional Manolis Fanto.

O tempo é a única coisa que essas doenças roubam. Recuperando um pouco? Isso é enorme.

Os dados não mentem

A teoria é legal. O tecido do paciente é a prova.

A equipe analisou 3.000 células cerebrais retiradas de 28 pessoas que morreram de Alzheimer ou demência frontotemporal (FTD ). Eles olharam para o córtex frontal.

35 por cento dessas células apresentaram sinais de carioptose.

Em pessoas saudáveis? Da mesma idade? Apenas 15 por cento.

É uma grande diferença. É a história toda? Não. A demência é complicada. Existem dezenas de fatores. Mas se quase um terço da decadência neuronal é provocada por este colapso nuclear específico, então isto não é apenas uma observação lateral.

É um grande culpado.

Um roteiro, ainda não uma cura

A neurocientista Rebecca Casterton diz que traçaram um roteiro.

Ainda temos que trilhar o caminho.

A próxima etapa envolve experimentar diretamente nessa dupla enzima-proteína. As drogas podem interromper o p38 e o LaminB1 em humanos vivos? Funciona fora de uma placa de Petri? Nós não sabemos.

Sara Rodrigues, da Alzheimer’s Research UK, aponta a tensão óbvia.

Sabemos sobre proteínas tóxicas há décadas. Não sabemos como eles matam a célula. Essa lacuna – o mecanismo da morte – era a peça que faltava.

“Isso poderia ajudar a ampliar a janela”, diz Rodrigues.

Uma janela mais ampla.

Mais tempo.

Talvez seja tudo o que temos por agora. Talvez a deterioração diminua apenas o suficiente para que outros tratamentos façam o seu trabalho. Ou talvez apenas observemos os dados, surpresos por finalmente entendermos o que acontece naquele último segundo antes de a luz se apagar.

De qualquer forma, o silêncio foi quebrado.